quinta-feira, 25 de junho de 2009

Felicidade versus Excelência

(imagem em http://2.bp.blogspot.com/_5XYQjW441SU/SA4FdI_NDJI/AAAAAAAAAAg/XxI5Wup8ZG8/s1600/buscando_felicidade.jpg)

O fim último da vida não é a excelência, é a felicidade!


"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortu na familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com asbarreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores,explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro decompetição.

Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forteno Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, maisqueremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos .A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.

Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"

João Pereira Coutinho


3 comentários:

Fátima Freitas disse...

Como "Boa" Directora que me prezo ser, deixo os "trabalhos" para a Sub-Directora, que tem demonstrado um desempenho excelente.

teodoro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
teodoro disse...

acho que ele tem razão, i.e., estamos muito démodée